EDITIO/08
   

Editio Princeps


07898901556084   EDITIO/08
 

Reflexões Sobre a Crise do Desejo.../ (1981) é o segundo álbum do Grupo Um, e um marco na história da banda. Contando então com a participação de Rodolfo Stroeter (Pau Brasil, Divina Increnca, Symmetric Ensemble) no baixo e do multiinstrumentista alemão Felix Wagner (Divina Increnca, Symmetric Ensemble), o conjunto desenvolveu alguns de seus temas mais complexos, reunindo composições extremamente elaboradas com uma técnica musical incrivelmente apurada, atingindo resultados impressionantes.


MÚSICOS
Lelo Nazario
piano acústico

Zé Eduardo Nazario
bateria, percussão, khena do Laos

Rodolfo Stroeter
baixo elétrico e acústico

Convidados:

Mauro Senise
sax alto, piccolo

Felix Wagner
clarineta (Eb), piano elétrico

+ Zeca Assumpção
baixo acústico (6)

+ Roberto Sion
sax soprano (6)
FAIXAS
1. O Homem de Wolfsburg  3’26”
2. America L  3’19”
  3. Vida  2’50”
  4. Mobile / Stabile  9’09”
  5. Reflexões Sobre a Crise do Desejo  4’03”
  6. Mata Queimada  1’43” (bonus)
  7. O Homem de Wolfsburg (2)  4’26” (bonus)
8. Reflexões Sobre a Crise... (2)  1’59” (bonus)


FICHA TÉCNICA
:: LP Reflexões Sobrea Crise do Desejo.../ (1-5)
produção: Grupo Um / JV Criação e Produção. Gravado em junho de 1981 (13 e 14) no estúdio JV e lançado como LP independente “Y JV-002”. Mixagem engenheiro de som: Sérgio Kenji Okuda (Shao-Lin). A base pré-gravada de “Mobile / Stabile” foi mixada por Flavia Calabi (Radar Studio) e Luiz Roberto Oliveira. Coordenação de estúdio e Programação Visual Lelo Nazario :: fotos Eliana Laurie :: concepção e arranjos de bateria e percussão Zé Eduardo Nazario

+ faixas 7-8: mesmas sessões do LP, versões alternativas. Faixa 6 gravada no estúdio Vice Versa B em 1977 para trilha de um documentário

:: Relançamento / Editio Princeps
produção executiva Marcelo Spindola Bacha para Editio Princeps :: masterização digital Lelo Nazario no Utopia Studio, em outubro de 2005 :: Textos Zé Eduardo Nazario e Lelo Nazario :: revisão Irati Antonio :: Projeto Gráfico Rodrigo Araujo e Adriana Cataldo / :: Fotos Eliana Laurie e Loris Machado


Felix Wagner   Rodolfo Stroeter   Lelo Nazario   Zé Eduardo Nazario   Mauro Senise



DISCOGRAFIA

:: Marcha Sobre a Cidade
LP independente, 1979


:: Reflexões Sobre a Crise do Desejo
LP Utopia, 1981


:: A Flor de Plástico Incinerada
LP Lira Paulistana, 1982
  Divina Increnca (c/ Rodolfo Stroeter)
:: a Divina Increnca - 1980

Zé Eduardo Nazario
:: Poema da Gota Serena - 1982
:: ZEN - 1998

Lelo Nazario (mais detalhes AQUI)
:: Lágrima / Sursolide Suite - 1982
:: Discurso aos Objetos / Balada Unidimensional - 1984
:: "Se..." - 1989
:: Simples - 1998
:: Africasiamerica - 2006

Rodolfo Stroeter
:: Mundo - 1985
:: Caminhos Cruzados - 1994 (c/ Ulisses Rocha)

Pau Brasil  (c/ Rodolfo Stroeter)
:: Pau Brasil - 1983
:: Pindorama - 1986
:: Cenas Brasileiras - 1987
:: Lá Vem a Tribo - 1989 (+ Lelo Nazario)
:: Metrópolis Tropical - 1991 (+ Lelo Nazario)
:: Pau Brasil & H. Pascoal - 1993 (+ Lelo Nazario)
:: Babel - 1996 (+ Lelo e Zé E. Nazario)
:: 2005 - 2005

Percussônica (c/ Zé E. Nazario, Lelo Nazario)
:: Percussônica - 1999
:: Hoje - 2004


LINKS
:: Lelo Nazario / Utopia Studio
Tel/fax: 55-11-4242.9714
e-mail: lelo.nazario@ig.com.br
site oficial: nazario.atspace.com

:: Zé Eduardo Nazario
Tel: (35) 3423-4405
e-mail: zenazario@uol.com.br
biografia: nazario.atspace.com/page7/page7.html

:: Mauro Senise
site oficial: www.maurosenise.com.br
 
Exclusive Distribution in Japan:
MARQUEE

102 Maison Mejiro, 3-1-17, Shimo - Ochiai,Shinjuku-Ku, Tokyo
161-0033 JAPAN
http://www.marquee.co.jp


RESENHA
Músicos “hermetistas” (aqueles que acompanharam Hermeto Pascoal), são, por excelência, munidos de liberdade. Tocar com aquele que quebrou as regras da música, foi o berço do Grupo Um. Improvisação e passos advindos do jazz faz a trajetória dos músicos que compuseram o "Grupo" no fim da década de 70, e deram seqüência à revolução sonora no cenário brasileiro, a partir dos pilares “hermetistas”.

Entrevistado pelo polêmico Zeca Jagger em 1975, para o Jornal de Música e Som, o multi-instrumentista e referência mundial na música, anunciava os meninos que traziam um frescor especial a suas apresentações e “que acabaram com aquele preconceito de cada um tocar determinado gênero”, destacando “Toninho Horta, Novelli, Raul Mascarenhas, o Nivaldo Ornelas, o Lelo (pianista de 17 anos), Zé Eduardo ('ótimo baterista e percussionista').”

Dois anos depois de serem profetizados, Lelo Nazario (piano eletrônico, percussão), Zé Eduardo Nazario (bateria, percussão, tabla), mais Zeca Assumpção (baixo eletrônico, piano, percussão), recém saídos da câmara musical de Hermeto, apresentaram-se no Parque do Morumbi, em março de 1977. Estavam acompanhados de Carlinhos Gonçalves, na percussão, e que veio a compor a banda como membro fixo, Roberto Sion no sax, apareceu mais vezes junto ao “Um”, Márcio Montarroyos no trompete, Luiz Roberto de Oliveira no sintetizador, Fátima e Sima nos vocais e Dom Bira também na percussão.

Acidulados - com um jazzrockbatuquezappistacanterburiano - não havia definição para a “vanguarda una” quando nos palcos ou dentro dos estúdios de onde brotaram nos anos de 1979, 81, 82 as experimentações analógicas: Marcha Sobre A Cidade, Reflexões Sobre A Crise Do Desejo e A Flor De Plástico Incinerada.

A carreira do “Um” foi curta, quatro anos, tempo suficiente para que a inventividade de cada músico fluísse em composições arrojadas, distribuídas nos três discos e em shows memoráveis. Vale destacar que a época de projeção jazz/vanguardista vivida naquele Brasil não condizia com a abertura política “lenta, gradual e segura”, apregoada pelos milicos; A “massificação” do estilo veio através da TV aberta, mais precisamente através da Rede Cultura, que apresentava uma revolução musical, até então presa aos estigmas tropicalistas. Festivais de jazz com o apoio da emissora eram transmitidos, e bandas como a Academia de Danças, projeto de Egberto Gismonti, o próprio Grupo Um e a Divina Encrenca tinham transito livre nos auditórios e estúdios da TV pública.

O “Grupo” também foi palco para músicos do quilate de Felix Wagner, alemão, especialista em piano, clarinete alto e vibrafone, e Rodolfo Stroeter (ambos ex-membros da Divina), que substituiu Zeca Assumpção no contrabaixo. A partir de 80, a banda desponta no cenário internacional e executa diversos concertos na Europa.

Os músicos, todos prolíficos, continuaram a produzir música de qualidade. Um belo exemplo foi o Pau Brasil, que reuniu Stroeter e os Nazario.

Para os que acharam que nunca teriam a oportunidade de sentirem o choque musical do Grupo Um, já que seus discos são preciosidades – “Marcha...” foi lançado e produzido com financiamento dos próprios integrantes, tornando-se um marco no cenário musical brasileiro como o primeiro disco instrumental independente – tem de agradecer ao selo Éditio Princeps, especializado em relançamentos que giram em torno do jazz-rock, focados em bandas que desenvolveram sua trajetória longe das grandes produtoras. O selo trata com muito carinho seus relançamentos exclusivos (sempre inéditos em CD), reproduzindo os encartes originais, adicionados de fotos e declarações inéditas dos músicos.


Texto de Lucas Rodrigues de Campos,
publicado originalmente em 2008 no Jornal do Coletivo sÓ

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